Lula admite momento ruim e diz que PT não pode ter medo

ANA FLOR
EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em evento que reuniu ontem cerca de mil sindicalistas no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o PT não pode ter "medo" das investigações e que deve dar um "bom exemplo" diante das atuais denúncias contra o partido.
Ao iniciar a sua fala, interrompida seguidas vezes por aplausos, Lula agradeceu a "solidariedade" dos sindicalistas diante do momento rotulado por ele mesmo de "ruim", do ponto de vista político, mas "importante" para a democracia brasileira. Segundo ele, todos estão sujeitos a "desvios", "erros" e "desacertos".
Oficialmente, o encontro de ontem tinha como objetivo a entrega ao presidente de uma carta de sugestões sindicais à Presidência. Na prática, porém, o evento, que superlotou o salão nobre do Planalto, se transformou num ato de apoio explícito a Lula diante da pior crise política de sua gestão.
A "Carta aos Trabalhadores e à Sociedade Brasileira" acusa grupos "inconformados" da sociedade de tentar derrubar o governo Lula por meio de um "espetáculo de denuncismo".
O encontro com os sindicalistas durou uma hora. Os primeiros 40 minutos foram reservados a gritos de apoio a Lula e de seguidos discursos de sindicalistas ligados à CUT (Central Única dos Trabalhadores) e à CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores). A Força Sindical, adversária da CUT, temendo um teor panfletário, não enviou representantes.

Solidariedade
Depois de ouvir os sindicalistas, que atacaram a imprensa, defenderam o governo e pediram mudanças na política econômica, Lula abriu sua fala, de 20 minutos, agradecendo a "solidariedade" dos presentes. "Solidariedade é sempre muito bom. Todos nós deveríamos aprender a fazer mais gestos de solidariedade a favor de muita gente que todo santo dia está precisando."
O presidente, a seguir, falou do momento "ruim" que atravessa sua gestão, diante de denúncias de corrupção. "Eu agradeço, porque o momento que estamos vivendo no Brasil é um momento ruim, do ponto de vista político, mas um momento importante para que a gente possa consolidar definitivamente, não apenas a democracia no Brasil, mas para que a gente possa provar que é possível a gente extirpar a corrupção da vida nacional."
Em seu discurso, todo improvisado, voltou a dizer que o papel do governo é o de "facilitar" as investigações e não o de "condenar ninguém antecipadamente". E afirmou: "Quem me conhece, nessa relação que eu mantenho com vocês há mais de 30 anos, sabe que, em se tratando disso, eu nunca brinquei em serviço".
Lula disse que todos estão sujeitos a "erros" e "desacertos". "No meio do caminho, sempre alguém pode cometer desvios, alguém pode cometer erros, alguém pode cometer desacertos. E isso acontece na nossa própria família, acontece na vila em que a gente mora, na rua em que a gente mora, na cidade."
Já no meio de sua fala, Lula citou nominalmente seu partido, o PT, que teria supostamente pago mesadas a deputados da base aliada. As denúncias motivaram a saída de quatro dirigentes do PT, incluindo José Genoino, ex-presidente da sigla.
"Todo mundo aqui tem acompanhado denúncias contra o PT, contra outras pessoas deste país, e eu tenho dito: cabe ao PT, agora, dar o exemplo de que o bom exemplo vem de dentro de casa. Se alguém cometeu um erro dentro do partido, tem que pagar."
O recado ao PT também vale ao governo, segundo Lula. "E cabe ao nosso governo não ter medo de investigar, não ter medo de permitir que haja todo e qualquer tipo de investigação porque, se alguém cometeu um erro, um delito, tem que ser punido."
Lula disse que o Congresso deve fazer suas investigações de forma "madura" e "serena", declarou que não "abre mão" de participar da construção do país e afirmou estar "convencido de que o momento que nós vivemos é muito mais do que um momento de reflexão, é um momento de ação".
E, após ouvir críticas à imprensa, o presidente saiu em defesa da mídia. "Nós não temos que ficar achando que é apenas a imprensa que faz as acusações, nós não podemos incorrer nesse erro. (...) Eu quero que a imprensa seja livre."


 como o sr.presidente podera resolver este probleminha basico do nosso pais?

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